Scrapbook

terça-feira, 10 de março de 2015

entrelaça-te




Os meus olhos não descolam da última fotografia que tiramos juntos. Felizes, com sorrisos de orelha a orelha e olhos de cristal. Não consigo parar de observar cada traço teu, cada curva do teu rosto, não fosses tu trabalho divino de um qualquer deus do Olimpo que te enviou de braços abertos ao meu mundo mortal. Estou louca e irreversivelmente vidrada em ti e dizer que não vivo sem ti já se tornou um eufemismo para o meu coração.
"Há gente que fica na história da história da gente", canta Mariza, enquanto o balançar do comboio embala a saudade refugiada no meu peito. E a verdade é mesmo essa: marcaste a história da minha vida no momento em que cruzaste o meu campo de visão pela primeira vez. E mais de sete anos passados, continuas a enfraquecer-me os joelhos e fazer suster a respiração cada vez que me olhas fixamente.
Nunca pensei que as nossas mãos se voltassem a entrelaçar, mas vou contar-te um segredo: procurei-te em todos os homens, mesmo o  que passaram nem chegaram a passar pela minha vida. Às vezes é demasiado difícil largar o que pensamos ter perdido para sempre. E nunca nenhum esteve à altura, nunca encontrei um pedaço de ti. Felizmente.
Foste sempre tu o tal, o imperador do meu músculo cardíaco até ao fim dos meus dias.
Nunca acreditei em amores para a vida, mas todos os dias me mostras que o nosso pertence à eternidade.
Volta. Entrelaça-te em mim. Morro de saudades.